sexta-feira, 28 de outubro de 2011

CONCEITO DE CURRÍCULO


Resumidamente podemos dizer que currículo é o que determina o que, como e quando será ensinado, respeitando-se os níveis de escolaridade e idade das crianças. Nesse sentido, o currículo, de certa forma, determina os objetivos escolares e direciona os planos de ação que deverão ser desenvolvidos para que se garanta êxito no que diz respeito à metas a serem atingidas. Nas palavras de Sacristán (2000),

O currículo aparece, assim, como o conjunto de objetivos de aprendizagem selecionados que devem dar lugar à criação de experiências apropriadas que tenham efeitos cumulativos avaliáveis, de modo que se possa manter o sistema numa revisão constante, para que nele se operem as oportunas reacomodações" (p. 46)

Podemos dizer que existem dois tipos de currículo: o oficial e o oculto. O currículo oficial diz respeito a tudo que é definido e selecionado como importante e essencial a ser trabalhado em uma série, ou nível educacional. Sacristán (2000), define o currículo formal como sendo

"o conjunto de objetivos de aprendizagem selecionados que devem dar lugar à criação de experiências apropriadas que tenham efeitos cumulativos avaliáveis, de modo que se possa manter o sistema numa revisão constante, para que nele se operem as oportunas reacomodações" (p. 46).

Por sua vez, o currículo oculto diz respeito aos aspectos implícitos da prática pedagógica como um todo. Geralmente o currículo oculto traduz as visões de mundo, de educação, de indivíduo e de sociedade que o profissional da educação assume e interfere significativamente no que se ensina na escola, como se ensina, bem como o que é aprendido pelos alunos. Nas palavras de Silva (1999),

"O currículo oculto é constituído por todos aqueles aspectos do ambiente escolar que, sem fazer parte do currículo oficial, explícito, contribuem, de forma implícita para aprendizagens sociais relevantes (...) o que se aprende no currículo oculto são fundamentalmente atitudes, comportamentos, valores e orientações..." (p. 78)

Para concluir é importante dizer que em nosso dia-a-dia, existe espaço para que ambos os currículos descritos acima atuem concomitantemente. Em alguns casos o currículo oculto é bastante evidente e muitas vezes até planejado, em outras nem tanto. No entanto, apesar de não parecer o currículo oculto se faz sempre presente, haja visto que educamos a partir das concepções de mundo, de indivíduo e de educação que fundamentam nossas práticas pedagógicas, diariamente.




REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

SACRISTÁN, J. Gimeno e Gómez, A. I. Perez. O currículo: os conteúdos do ensino ou uma análise prática? Compreeender e Transformar o Ensino. Porto Alegre, Armed, 2000.

SILVA, Tomaz Tadeu da. Quem escondeu o currículo oculto. In Documento de identidade: uma introdução às teorias do currículo. Belo Horizonte, Autêntica, 1999.

domingo, 9 de outubro de 2011

REFLEXÕES SOBRE A PRÁTICA PEDAGÓGICA


O diálogo configura-se, segundo o wikipédia,  na conversa entre duas ou mais pessoas, ( http://pt.wikipedia.org/wiki/Di%C3%A1logo ). Nesse sentido, a prática dialógica referir-se-á à prática do diálogo, Quando tratamos de educação, a prática dialógica sugere sobretudo uma prática pedagógica que estabeleça diálogo entre todos os pares envolvidos, isto é, entre professor, aluno, pais, funcionários, equipe escolar, comunidade, etc.
Ao refletir sobre a minha prática posso afirmar que nem sempre é possível estabelecer diálogo com todos os pares, no sentido de atender suas necessidades e interesses. Talvez os mais urgentes sim, no entanto a burocracia dos currículos e programas que direcionam a prática educativa muitas vezes talha a possibilidade de os professores atenderem plenamente às expectativas do grupo com que se trabalha. Em contrapartida e considerando que o diálogo é fundamental, sempre é possível, ainda que nem sempre da forma desejável, a adaptação e portanto a efetivação do diálogo nas diferentes situações que se tecem no dia-a-dia do fazer pedagógico. Assim, mesmo talvez não partindo-se do interesse dos alunos e portanto não estabelecendo diálogo com os mesmos, tenta-se criar oportunidades em que as crianças possam sempre expressar suas opiniões, apresentar suas dúvidas e saná-las, bem como estabelecer vínculo entre suas dúvidas e o programa curricular estabelecido pelos sistemas de ensino.
A educação infantil, nesse quadro avança em vantagem em relação ao ensino fundamental, pelo justo motivo de não se ter um currículo escolar definido, mas ao contrário disso, priorizar práticas educativas que centrem-se na ação e interesse das crianças, que abranjam áreas do conhecimento, mas sem um currículo específico, pré-definid e muitas vezes imposto pelos sistemas educacionais. Isso não quer dizer que a educação infantil aconteça sem qualquer embasamento fundamentado em conhecimentos, mas ao contrário disso, que a essa etapa da educação possibilita muito mais a possibilidade de construir uma prática embasada nos interesses das crianças, por permitir uma maior flexibilidade dos conhecimentos a serem abordados e reconstruídos.
No ensino fundamental, por sua vez, o currículo é bem mais fechado e a situação é agravada com as avaliações externas, que criam um sentimento de disputa acirrada entre instituições educacionais de um mesma sistema de ensino. Essa temática no entanto é uma via de mão dupla. Se por um lado a existência de currículos é uma variante que às vezes entrunca o trabalho do professor no que concerne a atender às necessidades e interesses do aluno, por outro é a única coisa que garante o mínimo de equidade nos sistemas educativos de um município, estado e país. Trata-se de um assunto bastante pertinente e que mereceria um estudo mais aprofundado.
Mediante isso, duas coisas precisam ser consideradas. Primeiramente a importância de se respeitar os currículos educacionais, no sentido de se garantir equidade na educação pública de uma nação. E em segundo lugar, a importância de tentar fundamentar esse currículo numa prática dialógica que tente conciliar as duas coisas, ainda que num primeiro momento possa parecer uma coisa difícil de se fazer.
Trabalhar interdisciplinarmente e a partir de temas tranversais podem ser uma alternativa. Os temas de estudo podem ser sugeridos pelos alunos, de acordo com a necessidade do coletivo e da comunidade como um todo. A de se considerar que esses temas precisam ser de alta complexidade, no sentido de poder ser estudado fazendo uso das ferramentas disponibilizadas pelas diferentes áreas do conhecimento. Assim, o conhecimento poderia ser configurado em rede, tal qual a informação e os cnhecimentos estão disponibilizados hoje, com as inúmeras tecnologias a que se tem acesso.
Um outro aspecto importante a ser considerado diz respeito ao estabelecimento de práticas que permitam às crianças e a toda a comunidade escolar, vivenciar a democracia, Nesse sentido, mobilizar a formação e efetiva atuação de grêmios estudantis, bem como dos conselhos de escola são de fundamental importância. A democracia também pode ser vivenciada no dia-a-dia da sala de aula, promovendo debates, em que as diferentes opinões sobre os mais diversos assuntos possam ser expostas, sem caráter de julgamento, prevalecendo o respeito aos pares.
As tecnologias da informação podem ser uma ferramenta bastante útil quando se propõe o trabalho a partir da exploração de temas tranversais. Isso porque esse tipo de trabalho exige que o conhecimento seja construído tecendo relações entre os diversos aspectos sobre um mesmo assunto, assim como estão disponíveis para acesso na World Wide Web ( http://pt.wikipedia.org/wiki/World_Wide_Web ). O professor pode e deve fazer uso desse tipo de tecnologia nas suas aulas com os alunos, bem como estimular que as crianças se familiarizem com essa nova forma de estruturação e organização do conhecimento.